segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Fé.

 

Saul atravessa o burburinho da Rua Dois em direção ao restaurante “Bom Judeu”. Seu objetivo é conversar com Rodovalho Astarambélio Aristonad. O sol do meio-dia estatela na sua testa. Aristonad, dono do Partido Responsável da Organização do Trabalho e da Pátria – PROTAPA, consumada legenda de aluguel, quer ter sete senadores dos vinte e um do Senado de Jerusalém.  Saul conta com essa ambição. Legenda de aluguel, segundo o site do TSE, www.tse.jus.br/hotSites/glossario-eleitoral/termos/legenda.htm: “Diz-se que são “de aluguel” as legendas dos partidos desprovidos de representação no Congresso ou com escassíssimo número de filiados e/ou parlamentares, e disponíveis para abrigar candidaturas de políticos – geralmente endinheirados – dispostos a pagar um preço pela sua inscrição e apresentação da candidatura a um posto eletivo – geralmente federal e, menos freqüentemente, estadual”. Como é municipal, o PROTAPA é uma exceção à essa ideia.



Saul e Rodovalho jogam para a platéia. O acerto duro foi na madrugada de ontem. Rodovalho, cedera ante dois cargos na administração da Prefeitura e quatro bigas de luxo anuais durante o mandato saulino. Abriu mão de se candidatar ele próprio à prefeitura pelos yeroshalmim (nascidos em Jerusalém). E não por estes, mas ainda muitos estrangeiros. Além de mais cinco mil denários e atuação ativa durante o governo Saul. Este disse sim às condições. Embora ambos soubessem que Rodovalho não apitaria nada – e se não ficasse quieto ainda levava uma bica no traseiro. Porém, aquilo, a participação ativa, é o que seria divulgado na mídia.
Apesar da falta de apoio dos grandes partidos, Saul se sentia amado de Deus. E divulgava isso. “Como na Bíblia, lembra? — dizia – “Amei a Jacó e odiei a Esaú”. Era a sua crença. Assim, tinha total certeza da vitória.
O que andava incomodando ao endinheirado, era que o sexo, na forma da esposa e três concubinas, mais alguma eventual, e o poder econômico não o satisfaziam mais. Por isso o poder político iria preencher o vazio em sua alma. Porém, e se isso não acontecesse? A dúvida e a reflexão faziam a cabeça de Saul doer.

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