VOLTA.
| - M |
eu filho…?!
A mulher, olhando por trás de lentes embaçadas, tira os óculos para limpá-las, pressurosa da confirmação do que vira. Confirmando, recebe de volta um sorriso longo de quem sabe que é bem recebido. Da janela do quarto a senhora corre para a porta da sala e assim desce ligeiro os vãos da pequena escada. Meio cambaleando, um tanto levitante, seja pela idade e pela excitação, alcança rápido o chão do quintal, as galinhas saem sarapantadas da frente. Para correr mais um pouco, o pulmão lhe avisa que já não pode mais, então ela parece arrastar os pés num moonwalker para frente com os braços abertos, arfante.
Dos vinte metros da porteira até ali, o jovem também se esforçara um tanto para chegar mais rápido poupar a mãe. Agora que a tem em seus braços, uma poeira desse vento da tarde os envolve. São três horas de uma sexta-feira.
- Mãe!... – Diz o homem.
- Zizinho, meu filho – A mulher responde. Sem se desgrudarem.
A mochila nas costas faz o homem parecer muito mais forte do que a mãe. Não é assim. O metro e setenta e cinco dos dois os emparelham, o peso porém é distinto. Nos últimos anos ela só fizera engordar e o outro ganhara mais consistência. Apesar do que, fica menor quando passa a carregar a sacola de lona na mão na mão, como agora.
A mulher se afasta um pouco e espalma as duas mãos enormes em torno do rosto do filho e seus olhos lacrimejam. Mané lembra-se de algumas outras mulheres. “Elas sempre choram”, pensa.
Observando o rosto quadrado da mãe, Zito se reconhece. Não por aqueles olhos de mel a exaltar-lhe a face feminina. Mas, sim, por aqueles cabelos ainda negros, de fios grossos e oleosos que caem sobre os ombros. Com ele, já são quatro gerações de mestiços. Quando haverão de sossegar essa miscigenação ele não sabe. Talvez pare nele. Solteiro ainda aos vinte e sete anos. E nenhuma vontade de deixar a solteirice gozosa.
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