Pilatos tem Jesus em suas mãos e está diante de três opções. Por qualquer razão que seja, há um ideal de justiça romana. Há o interesse pessoal. E há a superstição.
Quanto à última, sua mulher o avisara que “não entrasse na questão desse justo”, porque ela muito sofrera por causa dele em sonho que tivera (Ev. Mateus, 27:19). Cada romano tinha o seu ídolo no lar, coisa comum em povos da antiguidade também (Gênesis 31: 19 e 30). Em “Gladiador”, de Ridley Scott, com Russel Crowe, os soldados romanos carregam esses bonequinhos dentro da sua bagagem a fim de obter proteção. Pilatos, partícipe dessa cultura, não era avesso à manifestação do sobrenatural. Por isso também vai tentar livrar Jesus da “cana” e do madeiro.
Sagaz, Pilatos sempre sabe que as acusações contra o Homem são por inveja. Ele é inocente. Por justiça, o certo é libertá-lo.
Condenando a Jesus, Pilatos ganha uma reaproximação com Herodes (Ev. de Lucas, 23:12), com o qual havia brigado. E fica numa boa com os sacerdotes e o povo judeu. Além de projetar uma imagem de governante eficaz, homem que sabe exercer autoridade. O que significa mais “votos”.
Portanto, para o governador o melhor é condenar a Cristo sem se envolver na sua morte. E assim faz. Deixa que o matem. Pilatos apenas manda torturar a Cristo (ponto positivo com os sádicos, todo torturador é um), e lava as suas mãos. Ficando “inocente” do sangue do justo, fica em paz com o sobrenatural, pensa ele.
Decide por duas de suas três opções. Um aproveitamento de 66,64 por cento (uma margem elevada de acerto. A política era uma engenharia inexata). E o direito romano, e a justiça? Bem, o direito romano é para Roma.
Nasce outra questão. É honesto Pilatos dizer que isso não era com ele, sendo governante e decidindo sobre vida e morte de alguém?
(Estamos nos perguntando como e por que o crente acaba contribuindo com a opressão política. Sabemos pela Bíblia que toda opressão, qualquer opressão, é perversa e demoníaca, por ação do inimigo ou por interação com ele. E não devemos contribuir com ela.
Deus, a verdadeira luz, é bom e não há nele trevas alguma – Evangelho de João, 1:9, com a Primeira Epístola de João, 1:5)
Até a quinzena.
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