Um dos considerados maiores políticos desse país, Ulisses Guimarães, não morreu milionário. Sequer rico. Dizem que tinha elevado espírito ético. Certa vez, perguntado sobre a necessidade da criação de cargos, ele respondeu, em resumo: - Isso é da política.
O leitor chama isso de honestidade política? No entanto é.
No tempo de Pilatos as exigências eram menores. E ele atendia aos pré-requisitos. Era cruel, inteligente, obstinado, e pelo que tudo indica, um conhecedor afiado de como o mundo funciona. Como o que é humanamente maligno funciona (I João, 5.19).
Então, dadas as circunstâncias, Pôncio era, sim, um homem cheio da boa honestidade política romana. Lembrando que, há pouco tempo atrás, seus legisladores, numa casa legislativa, tinham matado o seu presidente, ou melhor, imperador.
Ora, por ser o que era, Cristo é elemento de contradição. Ele mesmo dizia isso(Mateus 10, 34-,35). Portanto, era um fator complicador. Um outsider. Um marginal sob o ponto de vista da situação estabelecida. E não se era possível entendê-lo (Evangelho de João, 1:4).
Tem poder para manipular as massas e alcançar poder inigualável dentro daquele cenário político-social-religioso, judaico-romano – e não dá valor a isso. Pelo contrário, as massas é que tentam enquadrá-lo numa visão terrena de poder político pleno, o reinado, e passageiro.
Tem todo o poder. E não quer o poder. Pode curar, e cura. Pode ressuscitar, e o faz. Conversa com amor com homens e mulheres. Com igualdade de tratamento. Jesus é maluco? Um traidor? Um conspirador? Não, porque não articula. Jesus não é compreensível (II Coríntios, 2:14). Logo, é perigoso. Essa a lógica por trás do jogo.
Exatamente pelo contraste com Cristo é que Pilatos diz: Não vejo mal nenhum nele (Lucas, 23). Como homem terrível pode avaliar o risco que Jesus oferece para si e para o império romano e nada vê. Senão inocência. Embora Cristo, pelo que representa, seja de um perigo sobrenatural que Pilatos não pode alcançar. De qualquer forma, se detém diante da acusação dos religiosos. Religiosos como eu ou você, caro leitor. “Se não o crucifica, então você é contra César”.
Pilatos, politicamente correto, no outro sentido dessa expressão, toma a sua decisão. Avaliou um cenário. Examinou os atores. Fez o que estava ao seu alcance diante da possibilidade da perda do poder e, talvez, da própria vida. Digamos que, para consigo mesmo, seja honestidade política.
Alguém dirá que isso é um conceito relativo. Pode ser. Mas, mudemos um pouco de cenário e de personagens. A quinzena que vem.
Nenhum comentário:
Postar um comentário